pesada!
Abraços e ótima semana a todos!
ANTT promete sistema que acaba com a carta-frete
A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) quer a publicação já em
janeiro de medida provisória que cria o cartão-frete no país e muda a
relação entre transportadoras e caminhoneiros autônomos. "A medida será a
alforria dos autônomos", diz Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT. A
criação de um sistema eletrônico para pagamento do frete pode acabar com a
chamada carta-frete, instrumento ilegal que aprisiona do ponto de vista
econômico a maioria dos caminhoneiros autônomos a regras impostas pelos
embarcadores. Pelo modelo arcaico, os autônomos ficam à mercê de acordos
entre transportadoras e postos de serviço, que autorizam os postos a
descontar os créditos da carta-frete em gastos com combustível e alimentação
ou ainda o recebimento de dinheiro mediante deságios. A carta-frete
geralmente representa custos mais altos para os autônomos. "Com a
carta-frete, o óleo do diesel que custa R$ 1,90 por litro passa a R$ 2,20 ou
R$ 2,30", diz o autônomo Antônio Vicente de Sousa, 63.
O sistema é ilegal e parte de uma extensa rede de informalidade no
transporte de carga, mas é praticado livremente em todo o país. "Já existe
lei que torna essa prática irregular, o problema é que não temos mecanismo
eficaz para coibir essa prática", diz Figueiredo.Segundo ele, o cartão-frete
será o instrumento pelo qual a ANTT irá monitorar e coibir a prática no
país. O mecanismo também pode ajudar a agência a fiscalizar outra prática
ilegal: o não pagamento dos pedágios por parte das empresas embarcadoras.
Pela lei, os embarcadores são os responsáveis por pagar o custo do frete.
Segundo estimativas da ANTT, só 30% dos caminhoneiros do país recebem o
vale-pedágio para o custeio dessa despesa. "O que ocorre é que o
transportador informa o valor do meu frete, mas inclui ali o valor do
pedágio. No fundo, quem está pagando o pedágio é a parte do meu frete", diz
Sousa.Na via Dutra, Sousa diz que recebeu R$ 7.100 pela viagem, o que
incluía todos os custos, incluindo pedágios. "O certo seria o transportador
me entregar o vale-pedágio separado. Se você reclamar, fica sem carga", diz.
Esse é o maior problema para coibir a prática ilegal.
Segundo Norival de Almeida Silva, presidente do Sindicato dos
Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo, poucos
caminhoneiros denunciam empresas. "Todos temem ficar marcados e sem frete. A
situação é cruel, mas é assim que funciona", diz.
Flavio Benatti, presidente da NTC&Logística (associação dos transportadores
de carga), reconhece a gravidade da situação. "Lamentavelmente [o uso da
carta-frete] ainda ocorre. É algo que precisa acabar no setor, mas
infelizmente é algo ainda lento", diz. Segundo ele, parte da solução
implicará formalização dos caminhoneiros, o que muitos não desejam. O
sistema torna o transporte rodoviário, a principal modalidade para o
trânsito de mercadorias do país, um negócio com imenso nível de
informalidade.
Segundo a ANTT, o caminhoneiro é o mais atingido. Sem comprovação de renda,
que a carta-frete não dá, ele nem sequer pode se habilitar a qualquer linha
de financiamento para renovar o caminhão. O que ajuda a explicar por que a
idade média da frota autônoma é superior a 20 anos.
Fonte : FOLHA DE SÃO PAULO/ SETCERGS - publicado no site / news Carga
Pesada - On
line(http://www.cargapesada.com.br/noticias/noticia_ver.php?id=3061)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Insira algo que seja construtivo sempre!